Estagio Supervisionado III
Avaliação Processual
O valor da Proposta de inicio foi conhecer a cidade e fazer o seu mapeamento artístico. Procedemos no desenhar caminhos, ruas e trajetos a serem seguidos mais tarde, construímos o nosso mapa artístico e reservamos para ser explorado. Depois de tudo pronto ficávamos nos perguntando para que ia servir tais procedimentos e fomos aos poucos nos surpreendendo com a nossa pequena cidade, dividimos o nosso grupo e cada um foi em busca de ruas com possíveis artistas, aconteciam no percurso vários olhares, cruzamos com pessoas que mesmo morando na mesma cidade era difícil de bater um papinho, tivemos oportunidades de ver pessoas que já se foram até! Curiosos ficam em suas janelas nos espiando sem entender direito o que estava acontecendo, as vezes tínhamos vergonha por que parecíamos bisbilhoteiros fotografando e delimitando espaços a serem grafados em um papel, mas sabe de uma coisa?! Todos descobriram que cursávamos uma Faculdade, muitos deles pais de alunos que serão nossos, e hoje temos o respeito de ser universitários, coisas que devido ao corre-corre, nós não tínhamos por nós mesmos e que aprendemos a ter.
Neste segundo momento fomos à escola, era um ambiente muito conhecido e pensávamos saber tudo, o que descobrimos foi que não sabíamos de fato quase nada do que dizem a respeito a educação. O contato com a escola do Estágio II, foi de dentro para fora, entendemos o que é o PDE (plano de desenvolvimento escolar) assim como a Prestação de Contas, livro da merenda e o PPP (Plano Político Pedagógico) e toda a pratica burocrática como o SIGE. A Diretora da Escola Marcigalha, Lúcia Pereira nos deixou a par de todo o processo de funcionamento da escola. Prosseguimos por conhecer a história da escola, a planta baixa mapeada e o desafio para manter a educação e o serviço atualizado para ser prestado à sociedade, a escola foi visitada pelo grupo, exploramos o seu espaço físico, o prédio, sua localização, o pátio e o entorno do pátio, sua ocupação tanto por objetos como por funcionários, as salas de aula a sua mobília a composição de espaço, quantos banheiros, biblioteca e o laboratório de informática, depósitos secretaria, sala de professor, cantina e como são os procedimentos na hora do lanche, como os alunos recebiam este lanche, a organização da escola nos impressionou, como é o trabalho diário na escola e como é atuar como professor na escola. O estágio nos abriu um leque de olhares para aquilo que estava o tempo todo diante dos nossos olhos, as conquistas nos surpreenderam com novos valores, novas perspectivas e a chance de conhecer novas tecnologias nos dando possibilidades de trabalho. A experiência para os alunos não é diferente. Ficou difícil hoje de qualquer professor suprir as necessidades destes mesmos alunos em teorias e praticas dentro das artes visuais. A escola hoje está conhecendo um professor de artes visuais e o processo de transição com novas mudanças educacionais. Andar nas ruas da cidade fazendo mapas aguçou a visão de que poderíamos trazer tudo isso para dentro da escola.
Neste percurso descobrimos arte local e através desta nos afinamos com aqueles que proporcionam a cidade, a saber os artistas, e pesquisamos materiais e recursos que estes utilizavam em seu dia-a-dia, colocamos em anotações e os transformamos em currículos. Outra proposta foi focar no humano com suas bagagens de conhecimento intelectual envolvendo suas vivencias e praticas, estas experiências nos serviriam de apoio às futuras ações/currículo, então a partir deste momento conhecemos pessoas voltadas para a literatura, escritores local e também contadores de causos, comportamentos artísticos bem como aqueles que fizeram história do lugar e que estão inseridos dentro do mapeamento etnográfico.Visitamos Ongs, associações e diversos grupos denominados artísticos, trabalhávamos como pesquisadores de área e colhemos vários depoimentos de vivencia com auxilio de um gravador. Esta oportunidade que tivemos de sair às ruas no estagio I, o domínio do conhecimento nos fez ser seguros no proceder dentro da classe do 9ºAno, havia dentro de nós o entusiasmo dos artistas que entrevistamos e isso forçou uma apresentação segura, com introdução, desfecho e conclusão, então explanamos o nosso objetivo, a ação/pedagógica, “fotografia etnográfica”, aproveitando que já estávamos mesmo estudando Fotografia e Escuelas al Aire Libre do México. Resolvemos adaptar em nossa ação que era levar a classe às ruas e cada um construir sua narrativa visual. A afinidade com os alunos começou por aí porque tínhamos um ponto em comum que são as mídias, softwares, câmeras digitais e celulares com câmera. Sentimos que estávamos falando a mesma língua que os alunos, entendemos aí que os alunos de hoje clamam por diferenças dentro do ensino, estão cansados do giz e do apagador, as aulas de arte inovadas agora podem proporcionar esta diferença nos currículos educacionais. Para o professor de arte é uma responsabilidade muito grande visto que este não é amparado por livros pedagógicos mas são responsáveis na elaboração de seus currículos a serem ministrados .O blog do grupo do estagio estava em todo vapor e não víamos a hora de colocar as fotos e os alunos cessarem, assim encerramos esta atividade do Estágio dois e partimos para uma caminhada solo. Muita coisa aprendemos um com o outro, confrontamos idéias, muitas coisas deram certo outras tivemos de ajustar, nem sempre era fácil a caminhada, as vezes o que estava bom para um não estava para outro, pois neste momento de atuação no estagio éramos grupo de três, mas enfim vencemos nossas limitações, nos desvencilhamos de coisas em favor do outro, até aqui unidos mas o próprio estagio nos separa para cada um cuidar de sua caminhada dentro de uma proposta de intervenção artístico pedagógica.
A intervenção esta sendo imprescindível para o nosso próprio resgate enquanto professor, cidadão, filho, artista... Esses valores adquiridos aqui nos mostra o essencial para a sobrevivência artística pedagógica, do podemos chamar de cidade educadora no próprio contexto onde estamos inseridos.
A partir de minha porta de entrada “Praça da Igreja” fiz o meu plano de ação objetivando um resgate de culturas e tradições, sendo denominado “1º Encontro de Resgate Cultural de Olhos D’água”. Nasceu uma idéia na cabeça, foi para o papel, virou uma proposta de intervenção, em seguida um “Plano de Ação”. Quando me deparei com tudo isso pensei: mas e aí? Como vou por em prática? A parte mais difícil estava por vir. De início desanimei um pouco, mas busquei forças, inspiração e idéias nos fóruns, fui atrás de parceiros, busquei o interesse deles com esclarecimentos do que eu almejava. Contactei primeiro o Senhor Fiinho, em seguida a professora Nilva, o Professor Armando, o poeta Joventino, Professora Mariana, Dona Zefinha, Senhor Fiuca, só ficou o Senhor Pedro Samanbaia que não consegui encontrar. Fui à procura dos artesãos Lourenço, Fatinha, Divina, Jamile, Maria Abadia, Durvalina, Santa, Edmilsa, Madalena, pedindo-lhes as suas presenças nesta proposta. Convidei alunos da Escola Municipal Geminiano Ferreira Queiroz e do Colégio Estadual Padre Antônio Marcigalha. Convidei a sociedade.
Nunca imaginei ter esta repercussão. A notícia espalhou, a prefeita e o secretario de cultura e turismo ficaram sabendo e exigiram que queriam esta apresentação no dia da festa de Troca-troca, mas a data da proposta não podia esperar, mandaram me dizer que até podia ser antes mas eu tinha que fazer outra na abertura da festa. Comecei a ficar um pouco assustado com as dimensões tomadas. Recebi suporte da Prefeitura com a disponibilidade do espaço, uma tenda e o lanche para todos os meus parceiros.
Chega o dia, corre-corre, acode aqui e ali, aproximam 15:h. A energia num coreto da praça não dá certo para que funcione o som, reúnem-se todos, inclusive as pessoas parceiras para a apresentação da folia do Divino juntamente com o senhor Fiinho, nove pessoas vindas de Abadiânia, ainda esperando que o problema da energia fosse solucionado, arrumei oito extensões, liguei e tomei um choque bem na hora que passou um carro em cima de uma delas quebrando e fechando curto, com isso quase coloquei fogo na minha casa. Já eram 16:30h. Quando o problema da energia foi solucionado com a ajuda de um eletricista presente e com uma ponta de fio que ia do poste ao coreto, e enfim a presença do professor Armando, depois de algumas ligações em sua casa. Mas ainda estavam faltando a professora Mariana que não tinha chegado e o senhor Fiuca que tinha ido embora cansado com tanta espera. Mas o importante disso tudo é que as pessoas presentes, ansiosas esperaram para ver o que tínhamos a propor.
Começam as apresentações na seqüência cronológica, o professor Armando faz a abertura, fala com propriedade sobre nossa cidade desde a data de sua fundação e dos seus objetivos sociais quando ele próprio criou a feira de Troca-trocas há alguns anos em nosso povoado. Neste momento, já integrados às pessoas se faziam presentes a prefeita Maria Aparecida e o secretário de turismo e cultura do município Demerval. Todos se empolgaram com os rumos da proposta. A seqüência continua com o poeta Joventino que fala em bom tom sobre a nossa sociedade, declama um de seus vários poemas e fala do lançamento de seu futuro livro. Ia me esquecendo de falar que iniciando postulamos ao ouvir o hino de Alexânia de autoria do poeta Joventino. Bom, continuando a seqüência de apresentações vem o grupo de violeiros de Abadiânia companheiros do senhor Fiinho, cantam algumas músicas enquanto a Dona Zefinha apresenta o seu personagem em meio as crianças “Sinhá Rita” que joga calcinhas e soutiens nos homens e balas e pirulitos para as crianças, depois a professora Nilva conta historias numa roda de crianças. Continua com a professora Nilva e seu mais novo e popular personagem, a boneca grande “Maria Preta”, e encerra-se a proposta com o grupo do senhor fiinho e a Folia do Divino.
O que deu errado foi o problema com a energia, a professora Mariana que não pode comparecer, o senhor Pedro Samambaia que não foi localizado, o senhor Fiuca que foi embora antes, a dança de catiras que não pode ser realizada e nem o toque de berimbaus e os artesãos que não compareceram todos com suas peças, acho que por medo da possível chuva. O pior é que muitas pessoas gostaram muito e querem uma proposta desta a cada mês. Assim fica muito difícil.
O lado bom é que mesmo diante do que deu errado acho que alcancei grande parte da minha idéia, pois o encontro das culturas formais, não formais e informais bem como o folclore, a música, a dança, a fé e a história de nossa sociedade se encontraram em um único espaço.
Sinto-me realizado e com certeza se tiver outra se realizará com mais abrangência e menos erros. Acho que o desfecho da proposta se olhar pelo lado da compreensão, participação, empenho e aceitação sem dúvida alcançou 70% (setenta por cento) de aproveitamento. Esta é a minha avaliação.
A minha familiaridade com o mundo intermidiático era zero, hoje domino edições em jpg, criações de vídeos e slides, tenho dois blogs e três e-mails e mais ainda, vi o meu desenvolvimento caminhar acelerado. Quando comecei o curso eu tinha receio de me expressar, dialogar ou mesmo opinar – são comportamentos normais para quem desconhece os fatos – mas veja bem, depois de estudar até aqui me vejo com capacidade positivas e conscientes para os procedimentos mencionados de cabeça erguida.
Esse é o preço benefício que a educação cultural engloba em nossas vidas, em nossas visões de mundo, em nossas conquistas, que transforma a maneira de ver, de analisar, de determinar, de direcionar nossos objetivos e nossas vitórias.
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