Hoje acordei bem cedo, escuro ainda, e fiquei a penar: Pôxa, li todas as postagens dos meus colegas, já li o material, já fiz minha caminhada refletindo e procurando uma porta de entrada, já fiz o vídeo e ainda estou indeciso; achei que era o senhor Maranhão, “não”, achei que eram os três bares da esquina, ‘não”. Percebi que estes espaços não me transmitem o que eu preciso, não consegui refletir alem dos seus limites. Os meus colegas relataram tanto sobre o assunto, praças movimentadas e perigosas, ruas cheias de carros, muito barulho, muita gente pra lá e pra cá, muita agitação, muitas construções em andamento ou não, entulhos nas ruas, lugares abandonados, o colorido das casas e muros, os letreiros de propagandas, etc. etc. etc. Fiquei pensando no percurso que fiz, no jeito das ruas, no jeito e no movimento das pessoas, dos carros, dos costumes, no processo social em um todo que aqui se constitui. Aqui é tudo ao contrário de quase totalidade dos relatos que li. Foi aí que veio em minha mente o click. Está bem na frente da minha casa, uma praça bonita, toda gramada, muitas árvores frondosas a sua volta, uma igreja, no tempo das chuvas a gama de verdes contrastam com o colorido e com a arquitetura antiga das casas, fica deslumbrante para quem gosta e sabe apreciar. Quase não tem movimento de carros ou de transeuntes, o perigo é praticamente inexistente e as crianças podem brincar livremente. Não é muito diferente de muitos dos espaços relatados? Mas comecei a pensar para alem dos limites desta praça. Para que ela existe? Como ela é vista? Quando ela é usada? Para que ela pode e deve existir? As pessoas a observam como eu?
Fiquei um pouco surpreso e cheguei a conclusão que ela é usada só para ser fotografada por pessoas de fora que levam essas imagens embora, é usada para ocasiões de festas do padroeiro da cidade, festas das feiras de Troca-trocas e muito raramente por algum evento itinerante da prefeitura. Eu já de posse dessas questões fiquei a imaginar de como esta mesma praça pode se tornar um enorme potencial, partindo da organização de um trabalho com crianças, jovens e adultos, de forma artística, cultural, social. Desenvolver embaixo de suas árvores com enormes sombras fresquinhas e aconchegantes atividades com desenhos, com pinturas, contação de hestórias, histórias e causos, com modalidades esportivas, em conjunto com os professores e pessoas da sociedade que quiserem participar.
Esta praça está no roteiro da minha caminhada e também está no vídeo que fiz, mas só agora consegui pensar assim sobre ela, será com certeza a minha porta de entrada.
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